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Como um bom praticante da pesca esportiva, particularmente aquela feita com iscas artificiais, eu entro frequentemente em sites da Internet, procurando saber sobre novos equipamentos, novas técnicas, e sobre avaliações de seu uso. Assim, há dias descobri que a Abu Garcia, famoso fabricante sueco de equipamentos de pesca, lançou uma nova carretilha de perfil baixo, que foi batizada de ORRA. Fiquei curioso do porquê do lançamento, pois a Abu Garcia lançou há três anos, com muito sucesso, uma série de carretilhas de perfil baixo, denominadas REVO, que rapidamente conquistaram os pescadores que usam carretilhas de arremesso. Tratei de saber quais as diferenças entre a nova carretilha de nome esquisito e as suas antecessoras recentes, e não pude perceber nada significativo, a não ser o número de rolamentos (que não é tão importante), e o tipo de freio (o da ORRA é centrífugo, enquanto o da maioria das REVO é magnético). Havia também uma diferença significativa no preço: a mais barata das REVO, a modelo S, custa US$130, enquanto a ORRA custa US$100. Lembrei-me então de uma prática hoje comum entre os grandes fabricantes de equipamentos de pesca: Shimano, Daiwa, Quantum, todos têm produtos numa variada gama de preços (e qualidade), de modo a competir em todas as faixas do mercado consumidor. A Shimano, na sua linha de carretilhas de perfil baixo, tem a carretilha CALAIS DC como topo de linha, e até chegar ao seu produto mais barato, que é a carretilha CALLISTO, tem nove outros modelos à disposição dos pescadores, com grande variação de componentes e de preços. Com essa prática, os grandes fabricantes conseguem competir também com os chamados asiáticos, que hoje despejam nos mercados molinetes e carretilhas a preço de banana (e com duvidosa qualidade e durabilidade).  Percebi que entre a linha de carretilhas REVO e a série denominada Max, também da Abu Garcia e mais barata e simples, havia um espaço que comportaria um novo modelo, devido à diferença de preços entre a REVO mais barata e a ProMax, que custa US$75. O lançamento da carretilha ORRA coloca então a Abu Garcia para competir com produtos das concorrentes que são oferecidos ao mercado na faixa dos cem dólares. Mas eu descobri também um fato novo, que demonstra o quanto é grande internacionalmente o mercado de equipamentos de pesca, o qual, considerado num todo (produtos, serviços e empregos), só nos Estados Unidos está na casa dos bilhões de dólares. Descobri uma empresa chamada PureFishing, que é dona de todas essas outras listadas a seguir, e todas fabricantes de equipamentos para a pesca: ABU GARCIA (carretilhas, molinetes, varas), MITCHELL (molinetes, varas), PENN (carretilhas, molinetes, varas), SHAKESPEARE (carretilhas, molinetes, varas), BERKLEY (linhas, varas, iscas), PFLUEGER (carretilhas e molinetes), STREN (linhas de pesca), FENWICK (varas de pesca), SPIDERWIRE (linhas de pesca), JOHNSON (carretilhas spincast), ALL STAR (varas de pesca), X-TOOLS (alicates de pesca). O que parece é que empresas como a Abu Garcia, que tradicionalmente faz (ou fazia) seus produtos na Suécia, hoje estão inseridas na economia global, talvez porque seus fundadores não tenham conseguido isoladamente fazer frente à concorrência dos produtos mais baratos (e piores) vindos da China e outros países asiáticos. O mesmo se pode dizer da Penn, empresa americana familiar, com produtos de nome consagrado e há quase cem anos no mercado. O que a gente espera é que movimentos como este, de globalização de mercados (e de produtos), sirvam para por à disposição dos pescadores uma maior variedade de opções de equipamentos, com qualidade e preços justos. A tempo: eu descobri também que a PureFishing faz parte de um outro grupo de empresas chamado Jarden, que controla entre outras a Coleman, famosa por seus equipamentos de camping e similares.... Mas esta já é outra história. |