"Nós gostamos do que fazemos. Pescar é viver."

 
Pescando no Rio São Francisco: bons tempos Imprimir E-mail

 

 

Chegamos ao Carcará Clube de Pesca (que fica a 15 km de Januária) no dia 15 de outubro de 1993, com a intenção de pescar por uns quatro dias. O meu amigo China tem lá um barco cabinado, e nossa intenção era por a tralha e a cozinha no barco, e descer o rio pescando. Porém, depois de almoçar, resolvemos subir o rio até acima da “coroa preta”, o que fizemos por volta das quatro da tarde, e paramos num trecho da margem esquerda que tem barranco com capim,  e onde a água corre mais rápido sobre um leito de cascalho, com profundidade de um e meio a dois metros.


 

Das quatro e meia até as seis da tarde, nada de especial aconteceu.  Foi só virar as seis horas e o China fisgou um moleque (surubim) de uns nove quilos, seguido de mais dois, sendo o menor com cinco quilos (esse foi solto) e o maior calculado em uns treze quilos. Eu tive a sorte de pegar um moleque, que pesou beirando os dez quilos. Isso tudo aconteceu num intervalo de menos de meia hora! Foi uma alegre surpresa, pois já naquela época o São Francisco vinha se mostrando exaurido e cansado de tanto sofrer os abusos que nós pescadores mineiros conhecemos.


 


 

A pescaria sossegou inteiramente após esse nosso sucesso inicial, e por volta das oito horas da noite resolvemos ir dormir para descermos o rio no dia seguinte. Assim, depois de um bom café e uma ligeira prosa com o Liu, gerente do clube, embarcamos e descemos o rio até abaixo da terceira ilha, já no pesqueiro do “jatobá”. Ficamos por ali, pescando com minhocuçu  e com sarapó. As águas do rio estavam azuis, inteiramente limpas, e o “Chico” estava paradão, sem ação de peixe. Como o calor estava brabo, depois de tomarmos um banho de rio, pedi ao China pra gente procurar um pesqueiro mais próximo do barranco, e essa mudança foi positiva, pois eu pus um anzol menor na água e acabei descobrindo um “ponto” de piaus verdadeiros, onde fiz a minha festa, enquanto durou. Como o China é pescador só de surubim e dourado, não demorou muito e ele quis mudar de pesqueiro, para ir atrás dos loangos.  Eu tinha separado dois dos piaus maiores, e pelo menos serviu para, na boca da noite, fritarmos o nosso tira-gosto para acompanhar a cachaça de Januária.


 

O terceiro dia também foi de pouco resultado, salvo por um moleque que o China engatou por volta das sete e meia da noite, com o barco parado a uns quatro metros do barranco. Esse peixe deu bastante trabalho e enganou o China, que inicialmente estimara o seu peso em mais de trinta quilos.  Calculamos seu peso entre quinze e dezesseis quilos, pois não conseguimos pesá-lo com nosso alicate de contenção, que só ia até 11 quilos.


 

Todas as noites foram de céu limpo,  e contemplar o espetáculo das estrelas, com a temperatura agradável da noite,  era uma bênção que só um pescador sabe aproveitar.

 

No quarto dia, por volta das nove e meia da manhã, decidimos voltar para o clube, e depois de uma hora de navegação vimos uns pescadores profissionais acampados numa das ilhas. Aí, o China resolveu parar para um dedo de prosa.  Eram três os pescadores: o primeiro era um coroa forte, muito simpático e queimado pelo sol, em cujo sorriso faltavam os dois incisivos superiores. A curta distância estava o segundo pescador, sentado, lavrando a facão um remo daqueles compridos, tipo varejão. E na beira dágua,  estava um rapaz dos seus dezesseis anos, lavando um vasilhame. O China, com sua conversa franca, logo agarrou de prosa com o mais velho,  enquanto eu admirava o trabalho do homem que fazia o remo. Num instante descobrimos que a pescaria estava fraca para eles também, e que só tinham pego na rede uns pacamãs e um pirá, por sinal bem grandinhos. Aí o China resolveu comprar dois pacamãs pra levar  para a mãe dele, que gostava desse peixe.

 

A negociação dos peixes, esticada de propósito pelo China, estava muito engraçada, e depois de concluída, ofereci aos pescadores uma lata de cerveja, que foi prontamente  aceita pelos dois mais novos. Entretanto, o velho simpático, apontando para uma garrafa de “Red” que estava no canto do barco, disse: “Se o senhor não se incomoda, prefiro daquele ali”. Eu prontamente ofereci o uísque, e ele foi buscar um  fundo cortado de garrafa pet,  dessas de dois litros, para servir de copo, e esticou o braço, dizendo: “Pode por à vontade”. Servi para ele o equivalente a umas três doses generosas, e para meu espanto ele virou na goela  todo o conteúdo,  e depois estalou com a satisfação a língua, afirmando: “Esse é dos bão”... E olhe que isso foi ali no sol direto,  e a temperatura devia estar beirando os quarenta graus.

 

Demos um até breve para os pescadores e tomamos o rumo do clube. Pois é:  por essas e por tantas outras boas horas vividas ali, é que nunca esqueço o  “velho Chico” e o Carcará.

 
 

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