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Nesse ano que passou, nós recebemos em nossa loja um grande número de pescadores, a maioria trazendo equipamentos para conserto, outros em busca de informações sobre destinos de pesca, isso sem falar nos amigos que sempre vêm para um papo. Entre todos esses companheiros pescadores, veio nos procurar o seu Honório. O personagem é real, mas vamos chamá-lo assim. O seu Honório é um cidadão dos seus quase oitenta anos, com o rosto marcado pela vivência, porém sólido de corpo, esguio e bastante esperto para sua idade. Quando fala de pescaria, seus olhos miúdos adquirem o brilho de quem passou uma boa parte da vida pescando, o que se confirma pelo seu papo e pelo conhecimento de diversos destinos de pesca pelo Brasil afora. Pois o seu Honório queria realizar mais um sonho de pescador: ir pescar no rio Paraná, o Paranazão, porém na Argentina, na região de Ita Ibaté. Queria ir atrás dos enormes dourados e dos grandes surubins que lá ainda ocorrem, e hoje difíceis de encontrar aqui. E estava disposto a dividir o barco com qualquer pescador, mesmo um estranho, para ter a oportunidade de ir lá pescar. 
O que estava acontecendo é que seu Honório não tinha companheiro para viajar com ele, e para ser seu parceiro de barco. Parece que os seus companheiros habituais tinham outros compromissos, ou talvez não estivessem querendo ir pescar na Argentina. Nós até que nos esforçamos, mas por coincidência não tínhamos pessoas ou grupos aos quais o seu Honório pudesse se juntar, para não pescar sozinho, e ficar livre do custo adicional decorrente dessa situação, inclusive no traslado de Foz do Iguaçu para Ita Ibaté. Essa situação durou por pelo menos uns dois meses, com o seu Honório nos procurando a cada quinze dias, atrás da oportunidade de ir pescar no Paranazão argentino. Chegamos a ficar sensibilizados por não podermos ajudar o velho pescador, que a cada vinda se mostrava mais chateado com a sua frustração. De repente, o seu Honório sumiu. Ficamos preocupados com o seu abatimento e com seu paradeiro, e de vez em quando até comentávamos sobre o seu sonho de pescaria, e a falta de oportunidade para ajudarmos. O tempo passou, e o caso começou a entrar no esquecimento. 
Veio o mês de Janeiro, e um dia desses, olha quem entra pela loja adentro, saudável e sorridente: o seu Honório. O veterano pescador veio nos visitar e contou que tinha conseguido ir pescar em Ita Ibaté, ainda em 2009, junto com alguns companheiros, e que ficou muito feliz com a pescaria, prometendo trazer fotos dos peixes para nos mostrar. Confessou que ficou intrigado com a pesca de corrico, que lá é praticada com grandes iscas artificiais de barbela, ao invés das colheres de aço que eram usadas no São Francisco. Francamente, a novidade nos deixou aliviados e até mesmo alegres, pois percebemos que sua alegria nos fez bem, como pescadores que também somos. Longa vida e muitas pescarias, é o que desejamos ao seu Honório.... |